Movimentos rápidos de preço podem fechar uma posição alavancada mais cedo do que o planeado.

O Mercado Bitcoin cobra corretagem por volume, com maker entre 0,70% e 0,25% e taker entre 0,30% e 0,015% no ciclo de 30 dias, e não cobra custódia em BRL. Abaixo, todos os custos confirmados com o próprio material da exchange, o efeito prático deles sobre uma ordem pequena e o que fica fora dessa conta.
O Mercado Bitcoin não publica em local único e permanente a tabela de faixas por volume, os limites exatos de cada nível nem a política de saque. Onde não há dado público, isso está registrado explicitamente em vez de estimado.
Tabela de todos os custos
A estrutura de cobrança da exchange é enxuta: basicamente uma corretagem que varia com o volume negociado em 30 dias. Tudo o mais que aparece na fatura do cliente brasileiro vem de fora da exchange.
As faixas maker e taker são progressivas e dependem do volume acumulado em 30 dias. A exchange não detalha no material consultado em que ponto exato da escada cada faixa começa, então os extremos servem como referência e a faixa aplicada deve ser confirmada dentro da conta antes de qualquer cálculo.
Quanto custa uma ordem pequena
Uma operação de R$ 1.000 raramente paga a taxa mínima, porque o investidor pequeno não acumula volume suficiente para chegar ao topo da escada.
Na prática, quem compra R$ 1.000 em bitcoin com ordem a mercado costuma cair na faixa taker mais alta, próxima de 0,30%. Isso dá R$ 3,00 de corretagem na entrada e mais algo parecido na saída, com a taxa vigente no dia. O round-trip completo tende a ficar entre R$ 5 e R$ 7 em cada R$ 1.000 movimentados, o que equivale a 0,5% a 0,7% do capital.
O número parece pequeno até ser comparado com o ativo. Uma oscilação de 0,6% em bitcoin acontece em minutos, então uma operação de curto prazo precisa cobrir esse custo antes de gerar qualquer resultado.
O detalhe operacional é a escolha entre maker e taker. Ordem limitada que fica no livro esperando contraparte tende a pagar a faixa maker, mais baixa na tabela divulgada. Ordem a mercado executa na hora e paga taker. A diferença entre 0,70% e 0,30% no topo da escada é mais que o dobro, então o tipo de ordem pesa mais no custo final do que a corretagem em si.

Os custos que não aparecem na tabela
A corretagem é a parte visível. O restante do gasto do investidor brasileiro mora em três lugares que a exchange não controla.
O primeiro é o spread embutido na conversão. A exchange negocia em BRL, mas o preço do bitcoin é formado globalmente em dólar, e a conversão aparece no preço executado, não em linha separada. Não há número público que isole esse spread, e a recomendação é comparar o preço executado com a cotação internacional no mesmo minuto.
O segundo é o IOF quando o dinheiro sai do país. Segundo os Decretos 12.466/2026 e 12.467/2026, a maior parte das operações de saída foi unificada em 3,5%, incluindo remessas internacionais e o Pix usado para pagamento no exterior. Aplicações no exterior ficam em torno de 1,10% e algumas operações de curto prazo em 0,38%. Como esses percentuais mudam, a alíquota vigente deve ser confirmada na Receita Federal antes de transferir valor relevante.
O terceiro é o imposto. Ganhos são tributados pela Receita Federal como renda ou ganho de capital, com declaração pelo próprio contribuinte. Para operações na B3, ganhos em swing trade são tributados em 15% com isenção mensal quando as vendas de ações ficam abaixo de R$ 20.000; day trade em 20%, sem isenção, com DARF até o último dia útil do mês seguinte. Existe ainda a Medida Provisória 1.303/2026, que propôs alíquota de 17,5% sobre ganhos gerais de mercado financeiro a partir de 1 de janeiro de 2026, e a conversão em lei precisa ser confirmada.
O que a exchange é e o que isso muda
O Mercado Bitcoin opera como Mercado Bitcoin Serviços Digitais Ltda., instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central e VASP sob regulação SPSAV (BC/2026), sem participação na B3. É exchange de criptoativos, com negociação spot, e não trabalha com alavancagem de forex de varejo.
Essa definição importa para a leitura das tarifas. Não há swap, não há taxa de financiamento noturno e não há spread de corretora de CFD, porque não existe contrato de diferença no produto. A contrapartida é que o custo se concentra na corretagem de entrada e saída e no preço do ativo, sem as camadas de custo que aparecem em contas alavancadas.

O lado honesto da conta
A crítica útil a essa estrutura não é sobre a exchange ser cara ou barata em abstrato, e sim sobre previsibilidade. A tabela de faixas por volume não está publicada de forma consolidada, os limites de saque não estão confirmados publicamente e o spread de conversão não é divulgado como percentual. Quem precisa planejar custo com precisão em bases pontuais fica dependendo de simulação dentro da conta.
Há também a questão reputacional que aparece em qualquer exchange grande. O Mercado Bitcoin tem selo RA1000 no Reclame Aqui, nota em torno de 8,6 e o Prêmio RA 2024 na categoria corretoras cripto, além de reclamações pontuais sobre Pix e estornos. Fundada em 2013 pelos irmãos Chamati, foi o primeiro unicórnio cripto do Brasil, com aporte de US$ 200 milhões do SoftBank em 2021, e soma mais de 3 milhões de clientes.
Volume e tempo de casa reduzem o risco de contraparte, mas não eliminam a necessidade de conferir o preço executado. Nenhum selo transforma uma taxa variável em taxa previsível.
Onde comparar antes de decidir
Se o custo é o critério principal, a comparação relevante não é só entre exchanges de cripto, mas entre a estrutura de tarifas de cada uma e o que ela entrega em contrapartida. Seguem os pontos que a nossa análise considera decisivos.
- Corretagem por volume com faixas publicadas de forma clara e acessível antes do cadastro.
- Custo de saída declarado, tanto em reais quanto em cripto.
- Spread de conversão divulgado como percentual, não embutido no preço.
- Regulação forte e reconhecida, com segregação de recursos de clientes.
- Histórico operacional longo e suporte com canal direto.
Bancos digitais e plataformas de investimento brasileiras frequentemente oferecem cripto com corretagem zero, mas compensam na cotação. Exchanges internacionais oferecem faixas menores para volume alto, mas acrescentam IOF e conversão de moeda. Nenhuma das opções é gratuita de fato, e o critério honesto é comparar o custo total por operação, não a linha de corretagem isolada.
O que checar em seis meses
Tarifa de exchange é documento vivo, não fotografia. As faixas maker e taker divulgadas hoje podem ser reajustadas, o IOF tem sido alterado por decreto com frequência e a tributação sobre ganhos está em discussão legislativa.
Antes de qualquer decisão de médio prazo, vale reler três fontes: a página oficial de tarifas do Mercado Bitcoin, a alíquota vigente de IOF na Receita Federal e o texto atualizado da Lei 14.754/2023, que rege rendimentos de investimentos financeiros no exterior para pessoa física, com alíquota única de 15% e declaração anual na DIRPF. Uma quarta verificação, menos óbvia, é o preço executado da sua última ordem comparado à cotação internacional: é ali que o custo escondido se revela.
Perguntas
Qual a diferença entre taxa maker e taker?
Maker é a ordem que adiciona liquidez ao livro, normalmente uma limitada que espera contraparte, e fica na faixa de 0,70% a 0,25%. Taker remove liquidez, como a ordem a mercado, e fica entre 0,30% e 0,015%. As faixas dependem do volume acumulado em 30 dias.
Existe taxa de saque?
Não conseguimos confirmar publicamente o valor nem as condições de saque. A recomendação é verificar diretamente na página oficial da exchange antes de programar uma retirada, porque esse dado não aparece de forma consolidada no material disponível.
Incide imposto sobre o lucro?
Sim. Ganhos são tributados pela Receita Federal como renda ou ganho de capital e declarados pelo próprio investidor. Para operações na B3, swing trade fica em 15% com isenção mensal até R$ 20.000 em vendas de ações, e day trade em 20% sem isenção. A MP 1.303/2026 propôs 17,5% a partir de 2026, e a conversão em lei precisa ser confirmada.